Mafalda
foi uma tira escrita e desenhada pelo cartunista argentino Quino. As histórias,
apresentando uma menina (Mafalda) preocupada com a Humanidade e a paz mundial
que se rebela com o estado atual do mundo, apareceram de1964 a 1973, usufruindo
de uma altíssima popularidade na América Latina e Europa. Mafalda foi muitas vezes comparada ao
personagem Charlie Brown, de Charles Schulz, principalmente por Umberto Ecoem
1968.
A personagem, cujo
nome foi inspirado pela novela Dar la cara, de David Viñas, e alguns outros,
foi criada em 1962 para um cartoon de propaganda que deveria ser publicado no
diário Clarín. No entanto, Clarín rompeu o contrato e a campanha foi cancelada.
Mafalda somente se
tornou um cartoon de verdade sob a sugestão de Julián Delgado, na época o
editor-chefe do hebdomadário Primera Plana e amigo de Quino. Foi publicado no
jornal de 29 de Setembro de 1964, apresentando somente as personagens de
Mafalda e seus pais, e acrescentando Filipe em Janeiro de 1965. Uma disputa
legal surgiu em Março de 1965, e assim a publicação acabou em 9 de Março de
1965.
Uma semana mais
tarde, dia 15 de Março de 1965, Mafalda começou a aparecer diariamente no Mundo
de Buenos Aires, permitindo ao autor cobrir eventos correntes mais
detalhadamente. As personagens Manolito e Susanita foram criadas nas semanas
seguintes, e a mamãe de Mafalda estava grávida quando o jornal faliu em 22 de
Dezembro de 1967.
A publicação
recomeçou seis meses mais tarde, em 2 de Junho de 1968, no hebdomadário Siete
Días Illustrados. Como os quadrinhos tinham que ser entregues duas semanas
antes da publicação, Quino era incapaz de comentar as notícias mais recentes.
Ele decidiu acabar com a publicação das histórias em 25 de Junho de 1973.
Desde então, Quino
ainda desenhou Mafalda algumas poucas vezes, principalmente para promover
campanhas sobre osDireitos Humanos. Por exemplo, em 1976 ele fez um pôster para
a UNICEF ilustrando a Declaração Universal dos Direitos da Criança.
Personagens
§ Mafalda: A
personagem principal, uma menina de seis anos de idade, que odeia sopa e adora
os Beatles e o desenho Pica-Pau. Ela se comporta como uma típica
menina na sua idade, mas tem uma visão aguda da vida e vive questionando o
mundo à sua volta, principalmente o contexto dos anos 60 em que se encontra. Tem uma
visão mais humanista e aguçada do mundo em comparação com os outros
personagens.
§ Papá (Pelicarpo, 29 de Setembro de 1964):
O pai trabalha numa companhia de seguros, adora cultivar plantas em seu
apartamento e entra em crise quando repara na sua idade.
§ Mamã (Raquel, 6 de Outubro de 1964):
Típica dona de casa, não completou os estudos (por isso é vista como medíocre
pela Mafalda), entra em conflitos com a filha quando prepara sopas e macarrão.
§ Filipe (Felipe) (19 de Janeiro de 1965):
Um sonhador que odeia a escola, mas que frequentemente trava intensas batalhas
com sua consciência e seu senso nato da responsabilidade. Foi inspirado pelo
jornalista Jorge
Timossi, um amigo de Quino.
§ Manolito (Manuel
Goreiro "Manelito") (29 de Março de 1965):
O filho de um comerciante, mais preocupado com os negócios e dinheiro do que
com outra coisa, não gosta dos Beatles e é um estudante que tira notas baixas
(menos em matemática, por causa das contas que aprende no mercado do pai). Representa
o conservadorismo capitalista na obra, apenas pensando no lucro do armazém de
seu pai. Também adora inflações dos preços, pois assim acha que está lucrando.
§ Susanita (Susana
Beatriz Clotilde Chirusi) (6 de Junho de 1965):
Uma menina fútil. Seu único objetivo na vida é encontrar um marido rico e de
boa aparência quando crescer e ter uma quantidade de filhos acima da média. É
uma grande fofoqueira e egoísta, e sempre encontra um jeito de falar sobre o
vizinho do irmão da cunhada de alguém.
§ Guille
"Gui" (Guillermo, "Guilherme") (1968):
O irmão caçula da Mafalda, esperto para sua idade, é retratado como uma criança
que começa a perceber o mundo.
§ Miguel
"Miguelito" Pitti: Amigo de Mafalda, um pouco mais jovem do que os
outros. Filho único, com um personalidade única, mas com um coração enorme.
Miguelito tem dificuldade de compreender o que Mafalda pensa, sempre entendendo
os conselhos de sua amiga de maneira literal. Além disso é um personagem
egocêntrico, que parece achar que o mundo gira à sua volta.
§ Liberdade (Libertad)
(15 de Fevereiro de 1970):
Uma minúscula menina. Todos fazem o comentário óbvio sobre seu nome. Gosta das
coisas simples da vida e seus pais são jovens idealistas, a mãe é tradutora, o
pai trabalha em um "empreguinho", por isso moram em um pequeno
apartamento.
§ Burocracia: É a tartaruguinha dada por seu pai a
Mafalda e Guile. Foi batizada por Mafalda por ser tão vagarosa, só aparece a
partir do livro "as férias da Mafalda".
Livros
e traduções
A maioria das
histórias que não eram intimamente relacionadas com a atualidade da época e com
eventos hoje esquecidos têm sido reeditadas em livros. Isso exclui os
primeiros, publicados no Primera Plana, mas jamais reimpressos
em livros até 1989.
Apesar de a
maioria das histórias terem sido traduzidas em diferente línguas europeias, bem como em chinês tradicional e simplificado,
elas foram raramente publicadas em inglês; na verdade, jamais nos Estados Unidos.

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