segunda-feira, 7 de maio de 2012
PROVA DA UFG DE GEOGRAFIA - MAIO 2012
GEOGRAFIA
▬ QUESTÃO 51 ▬▬
Analise o mapa a seguir.
* “Em maio de 1980, os governos da república Árabe do Iêmen (norte) e da República Democrática Popular do Iêmen (sul) assinaram um tratado de unificação dos dois países, formando a República do Iêmen, com capital política em Sana e capital econômica em Áden”.
SIMIELLI, M. E. Geoatlas. 4a. ed. São Paulo: Ática. 1990. p. 49. [Adaptado].
As tensões no Oriente Médio se dão em larga medida devido às disputas pelo controle de uma pequena área de extrema importância estratégica, a qual é rota de passagem entre o Golfo de Omã e o Oceano Índico e abrange águas terri-toriais do Irã, de Omã e dos Emirados Árabes Unidos. Essa área, circulada no mapa, é o
(A) Estreito de Tiran, principal ligação de Israel com o mar Vermelho.
(B) Estreito de Gibraltar, cujo fluxo de embarcações é elevado.
(C) Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte da produção de petróleo do mundo.
(D) Estreito de Bering, importante ponto de ligação entre a Ásia e a América.
(E) Estreito de Bósforo, que facilita o comércio entre a Ásia e a África.
Tema bastante esperado devido aos desdobramentos da Primavera Árabe. Localização Geográfica e Geopolítica. Assunto bem debatido nas aulas de atualidades. O Irã ameaça fechar essa passagem causando muita tensão internacional
▬ QUESTÃO 52 ▬▬
Analise a figura a seguir e leia os textos que a acompanham.
WIZIACK, J.; BRITO, A. Amazônia vira motor do desenvolvimento. Folha de S. Paulo, São Paulo, 16 out. 2011. p. A1. Ilustração esquemá-tica, sem escala. Disponível em: . Acesso em: 26 jan. 2012. [Adaptado].
“O governo federal e o setor privado inauguraram um novo ciclo de desenvolvimento e ocupação da Amazônia Legal, onde vi-vem 24,4 milhões de pessoas e que representa só 8% do PIB brasileiro”.
FOLHA DE S. PAULO, São Paulo, 16 out. 2011, p. B1.
[…] “Assim, ao invés de reproduzir, como nas antigas áreas de incorporação agrícola, estruturas produtivas preexistentes, a expansão recente da fronteira agropecuária na Amazônia constitui, antes de mais nada, uma fronteira tecnológica na qual a inovação científica é o elemento central de explicação do novo perfil produtivo do agrorregional”.
Disponível em: geociencias /geografia/mapasdoc3.shtm>. Acesso em: 8 mar. 2011.
Considerando-se a figura e os textos apresentados e a grande diversidade natural, social, econômica, tecnológica e cultural da Amazônia Legal, evidencia-se uma região em crescente processo de diferenciação. Esse processo contraria a imagem difundida pelo mundo de um espaço homogêneo, caracterizado pela presença de uma cobertura vegetal, que a identifica tanto interna quanto externamente. Desse modo, o novo modelo de desenvolvimento e de ocupação da Amazônia Legal, atualmente, baseia-se
(A) na articulação dos setores de produção de energia elétrica, transporte, mineração e agronegócio.
(B) no desenvolvimento de estratégias de preservação e controle da exploração dos recursos naturais.
(C) na estratégia geopolítica baseada no binômio desenvolvimento e segurança.
(D) na ocupação militar explicitada pelo projeto Calha Norte.
(E) nas estratégias que visam ao aprofundamento da internacionalização da Amazônia.
Devido a votação do Código Florestal, ás campanhas para a presidenta Dilma vetar e a reunião Rio + 20 que será realizada esse ano, esse tema também era esperado. Desenvolvimento x Preservação Ambiental. O desenvolvimento vem ganhando essa batalha, infelizmente.
▬ QUESTÃO 53 ▬▬
Analise os gráficos a seguir.
Precipitação Total e temperaturas médias, em Goiânia-GO e em Torres-RS, de 1961 a 1990.
O clima de um lugar é a expressão das condições médias do sequenciamento do tempo por períodos de 30 anos. A variação dos tipos climáticos deve-se a vários fatores, como massas de ar, correntes marítimas, altitude, latitude, maritimidade, continentalidade etc. Os gráficos apresentados representam dois elementos climáticos – pluviosidade e temperatura – dos municípios de Goiânia-GO e de Torres-RS.
De acordo com os gráficos e o texto apresentados, observa-se que, em
(A) Goiânia, as chuvas são concentradas de outubro a abril, e as temperaturas médias mensais ficam acima de 20 ºC.
(B) Torres, as temperaturas médias mensais oscilam de acordo com a variação da pluviosidade mensal.
(C) Goiânia, as maiores médias térmicas mensais foram registradas nos meses mais secos do ano.
(D) Goiânia, a variação da temperatura é característica de região subtropical, enquanto em Torres é de região tropical.
(E) Torres, as chuvas são bem distribuídas durante o ano, e a amplitude térmica anual é superior a 10 ºC.
Questões físicas do Brasil e Gráficos são temas recorrentes da UFG. Por isso cai bastante os chamados Climogramas. Análise simples pois questão com gráfico na maioria das vezes vem com nível fácil pois os candidatos não tem a prática de analisar. Gráfico esse que foi montado em sala de aula. Não foi?
▬ QUESTÃO 54 ▬▬
Leia a tabela a seguir.
De acordo com os dados da tabela acima, metade da população mundial (50%) vivia em 2010 nas cidades, sendo que a previsão da ONU para 2015 é que este porcentual será de 54%. Estes indicadores apontam a intensificação do processo de urbanização no mundo. Considerando-se a tabela e os conhecimentos a respeito do processo de urbanização, constata-se que, nas regiões
(A) mais desenvolvidas, de maior concentração populacional, predominam fatores de urbanização do tipo repulsivo provocada pelo êxodo rural.
(B) menos desenvolvidas, o processo de urbanização tem resultado no rápido crescimento das metrópoles e megalópoles, tais como São Paulo, Cidade do México, Mumbai, Nova Déli, Calcutá, dentre outras.
(C) menos desenvolvidas, predominam os fatores atrativos de urbanização decorrentes dos processos de industrialização cujo locus é o espaço urbano.
(D) mais desenvolvidas, a macrocefalia urbana é uma condição de crise permanente das cidades e se manifesta na existência de cortiços e favelas.
(E) menos desenvolvidas, a taxa de crescimento urbano é menor que nas mais desenvolvidas, em função da diminuição dos fatores atrativos de urbanização, como a industrialização.
Urbanização comparada entre países ricos e países pobres. Nos ricos ela foi mais antiga, mais devagar, e atualmente apresenta menos problemas se comparado a dos países pobres. Em 1900, das 10 cidades mais populosas do mundo, 9 (nove)eram de países ricos e atualmente, apenas 1 (uma).
▬ QUESTÃO 55 ▬▬
A atual organização espacial do território brasileiro contém disparidades regionais de diferentes ordens. O governo brasileiro implementou, nas últimas décadas, várias estratégias e políticas públicas, objetivando superá-las. Mesmo assim, algumas dessas disparidades persistiram e intensificaram-se. No que se refere à atividade industrial, verifica-se que
(A) o processo de desconcentração espacial do setor metalúrgico foi eficaz e conseguiu reduzir a concentração na região Norte com a implantação da zona franca de Manaus.
(B) a formação das regiões metropolitanas na região Centro-Oeste está associada ao desenvolvimento industrial promovido pelo projeto desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek.
(C) a descentralização industrial ocorre com maior frequência para o interior dos estados do Sudeste e Sul, desencadeando a chamada guerra fiscal.
(D) na região Norte essa atividade está ligada à implantação de numerosos polos agroindustriais durante os governos militares, visando promover a integração nacional.
(E) as estratégias desenvolvidas na região Nordeste estão focadas no setor farmacêutico e de cosméticos, baseadas no modelo de substituição de importações.
Fazendo um link com a urbanização, vemos uma questão de industrialização brasileira. Fala da Descentralização industrial atual, fruto da busca incensante das empresas de diminuir as despesas para maximar os lucros e cita a tão famigerada e discutida Guerra Fiscal.
▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬
Leia os Textos 1 e 2, para responder às questões 56 e 57.
Texto 1
Dentre as formações vegetais brasileiras, aspectos hidrológicos distinguem áreas de ocorrência de Cerrado e de Caatinga. Verifica-se, por exemplo, que a rede de drenagem intermitente é um dos fatores determinantes para diferenciar as depressões semiáridas ocupadas pela Caatinga, dos planaltos semiúmidos ocupados pelo Cerrado.
SILVA, C. R. Geodiversidade do Brasil: conhecer o passado, para entender o presente e prever o futuro. Rio de Janeiro: CPRM, 2008. p. 44. [Adaptado].
Texto 2
Na região do Cerrado são registrados casos, como no oeste da Bahia, onde já ocorreu o desaparecimento de mananciais importantes, em mais de duas décadas de exploração agrícola. Conhecido como “floresta invertida” por ter mais matéria orgânica vegetal no subsolo do que na parte superior, o sistema radicular nas áreas de Cerrado é extenso e capaz de reter no mínimo 70% das águas das chuvas.
BARBOSA, A. S. Elementos para entender a transposição do rio São Francisco. Cadernos do CEAS – Centro de Estudos e Ação Social. Salvador, n. 227, jul.-set. 2007, p. 95-105. [Adaptado].
▬ QUESTÃO 56 ▬▬
Os textos apresentados descrevem algumas condições ambientais presentes no Cerrado e na Caatinga. Dentre essas condições, o ambiente das depressões é submetido a um regime climático quente e semiárido, com estiagem prolongada, no qual a vegetação é representada por formações com predomínio de
(A) espécies semicaducifólias e caducifólias, desenvolvidas sobre solos profundos, resultantes de acelerados processos intempéricos físicos e químicos.
(B) espécies xeromórficas, caducifólias, cactáceas, que se desenvolvem em solos rasos e pedregosos, resultantes de intenso intemperismo físico.
(C) buritizais nas veredas, desenvolvidas sobre solos hidromórficos, argilosos e mal drenados, em vales pouco íngremes, com afloramento do nível freático.
(D) árvores lenhosas com cascas grossas, desenvolvidas sobre solos ácidos, bastante evoluídos, configurados por horizontes pouco diferenciados.
(E) árvores com raízes profundas e espécies arbustivas, desenvolvidas sobre solos de perfil homogêneo, resultantes de intenso intemperismo químico e lixiviação.
Questão de Vegetação brasileira mostrando a relação do clima com a paisagem, citando as adaptações. Fala da Caatinga e do intemperismo físico resultante da variação de temperatura típica das regiões secas.
▬ QUESTÃO 57 ▬▬
No âmbito do Cerrado, o Texto 2 aborda o funcionamento de um sistema fluvial perene, no qual os canais principais no período
(A) chuvoso abastecem o nível das águas subterrâneas,
com a infiltração destas a partir dos canais de drenagem mais permeáveis. O volume das águas subterrâneas poderá diminuir com seu bombeamento intensivo.
(B) chuvoso alimentam o nível freático, podendo desaparecer durante o período seco. Esse nível pode tor-nar-se profundo com o bombeamento intensivo da água subterrânea para uso agrícola.
(C) seco têm a vazão diminuída à jusante, por causa da recarga da água subterrânea pelo escoamento fluvial. O volume de água dos canais pode diminuir com o rebaixamento do nível freático e afetar as atividades agropecuárias.
(D) chuvoso apresentam infiltração da água a partir de seus leitos. A vazão da água subterrânea pode ser diminuída com a retirada da cobertura vegetal adjacente.
(E) seco têm seus cursos d'água mantidos, em consequência da infiltração das águas nas vertentes no período chuvoso. O volume de água desses canais pode diminuir com o desmatamento.
Hidrografia relacionada ao clima. Fala dos rios de regime tropical, com cheias de verão. E relaciona a ação do homem com a degradação dos recursos hídricos.
▬ QUESTÃO 58 ▬▬
A produção agrícola está fundamentada em três elementos básicos – a terra, o capital e o trabalho. O emprego desses elementos varia no tempo e no espaço, em conformidade com o desenvolvimento das forças produtivas. Transformações se efetivam de forma desigual nos lugares em função dos níveis de capitalização dos produtores, do emprego de mão de obra, de insumos agrícolas e dos recursos naturais incorporados ao processo produtivo. Com base nesse pressuposto, verifica-se que, na agricultura denominada moderna, os fatores predominantes e seus objetivos são:
(A) a terra e o trabalho no sistema agroflorestal, visando à mínima alteração dos sistemas naturais, reduzindo os impactos ambientais.
(B) a terra e o capital, tendo como base da produção a sustentabilidade social e econômica e o equilíbrio ambiental, visando atender às exigências do mercado mundial.
(C) o capital e o trabalho na produção orgânica certificada, utilizando insumos orgânicos e controle biológico de pragas, visando minimizar os impactos ambientais.
(D) a terra e o trabalho, com utilização de sementes selecionadas pelos produtores e insumos orgânicos, visando a um modelo de agricultura alternativo.
(E) o capital e o trabalho, utilizando insumos industriais, conhecimentos técnico-científicos e tecnologias avançadas, visando ao aumento da produtividade da terra.
Questão que mostra aspectos da moderna atividade agrícola, fruto do avanço tecnológico nos países ricos que atingiu os países pobres via revolução verde. É bom destacar também que mostra a atividade agrícola voltada a produção de insumos industriais.
▬ QUESTÃO 59 ▬▬
Leia o texto a seguir.
A questão regional retoma hoje sua força, em primeiro lugar, pela proliferação efetiva de regionalismos, identidades regionais e de novas-velhas desigualdades regionais (que, de uma maneira ou de outra, devem ser atacadas por políticas de base regional), tanto no nível global, mais amplo, como no intranacional. Nesse sentido, apesar da propalada globalização homogeneizadora, o que vemos, concomitantemente, é uma permanente reconstrução da heterogeneidade e/ou da fragmentação via novas desigualdades e recriação da diferença nos diversos recantos do planeta.
HAESBAERT, Rogério. Regional e global – Dilemas da região e da regionalização na Geografia contemporânea. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2010. p. 15. [Adaptado].Considerando-se o texto, dentre as desigualdades regio-nais (novas e velhas) que se manifestam no mundo globalizado, evidencia-se
(A) a existência de uma ordem mundial bipolar, nas relações entre os países, baseadas na hegemonia estadunidense e na liderança econômica chinesa.
(B) a expansão da doutrina chamada de “coexistência pacífica”, que se traduz no esforço das lideranças russas de se aproximarem dos países emergentes.
(C) a superação, no contexto da União Europeia, dos conflitos seculares, como a questão irlandesa e a dos bascos.
(D) a emergência de um grupo de países que possuem importantes recursos naturais, humanos e econômicos e são chamados de Brics.
(E) o fortalecimento dos países da América do Sul, articulados no Mercosul, aumentando a capacidade de negociação junto ao mercado europeu.
Questão que retrata o quadro econômico atual aonde as regiões mais desenvolvidas como a Europa de Maastrich, Eua e Japão passam por uma grave crise que, faz com que, os países emergentes ganhem destaque; O Brasil se tornou a 6ª economia do Mundo ultrapassando o Reino Unido, a China se tornou a 2ª economia do mundo ultrapassando o Japão. Os BRICS já discutem a crianção de um banco comum e os EUA já discutem a liberação do visto de entrada para brasileiros, de olho no poder de compra e consumo.
▬ QUESTÃO 60 ▬▬
Os elementos terras raras (ETR) são utilizados na produção do que há de mais moderno na fabricação de produtos tecnologicamente sofisticados, como computadores, celulares, tablets, painéis solares, telas de led etc. Eles são 17 elementos químicos muito parecidos, agrupados em uma mesma família na tabela periódica. O Brasil possui grandes reservas desses elementos, apesar de pouco exploradas. O estado de Goiás pode tornar-se um dos estados mais beneficiados pela exploração desses minérios no Brasil, tendo em vista o fato de possuir também uma das maiores reservas de fosfato, que apresenta em seus rejeitos minérios terras raras. Um desses elementos considerados como terras raras e o município goiano, onde ocorre essa extração de fosfato, são, respectivamente:
(A) fósforo – Catalão.
(B) lantânio – Barro Alto.
(C) antimônio – Americano do Brasil.
(D) lantânio – Catalão.
(E) tecnécio – Americano do Brasil.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
"Computador cria novos analfabetos"
"Computador cria novos analfabetos"
GILBERTO DIMENSTEIN
Colunista da Folha
Num prédio localizado na rua 81 com a Park
Avenue, na região nobre de Nova York conhecida como Upper East Side, a tela do
computador mostra sítios da civilização assíria. É o passo inicial para os
estudantes virarem arqueólogos, convidados a uma aventura virtual. Eles simulam
escavações como se estivessem num desses jogos multimídia. Capturam objetos que
vão de esculturas, passando por talheres, pratos, jóias até pinturas. Os
objetos, agora, são analisados com um professor de história, que oferece dicas
e reflexões sobre como viviam os assírios.
Com um toque de botão, aparece na tela um banco de dados on line criado para embasar aquelas informações, monitorado por professor PhD; o professor tem o suporte de uma livraria com mais de 60 mil livros, com obras históricas sobre aquele período.
Com um toque de botão, aparece na tela um banco de dados on line criado para embasar aquelas informações, monitorado por professor PhD; o professor tem o suporte de uma livraria com mais de 60 mil livros, com obras históricas sobre aquele período.
Depois, eles saem do mundo virtual. A
poucos metros, menos de dez minutos a pé, está o Metropolitan Museum of Art,
com uma vasta coleção sobre a civilização assíria. Vêem ao vivo o que escavaram
pela tela do computador.
"0 olhar mudou. Eles passam a ver uma peça arqueológica com os Olhos de quem, de alguma forma, participou da descoberta", afirma Frank Moretti, responsável pelo Centro Tecnológica da Dalton.
"0 olhar mudou. Eles passam a ver uma peça arqueológica com os Olhos de quem, de alguma forma, participou da descoberta", afirma Frank Moretti, responsável pelo Centro Tecnológica da Dalton.
Com uma mensalidade de US$ 1.700 (e ainda
não dá para cobrir os custos), Dalton é considerada, hoje, a escola de segundo
grau em que são feitas as mais avançadas e bem-sucedidas experiências de uso de
computador em sala de aula. Lá são criados os programas e, depois, testados com
os alunos.
O currículo da Dalton foi repensando a
partir do computador. Os alunos aprendem astronomia por meio de imagens do
telescópio Hubble, conectado à lnternet. Sensores foram espalhados numa
floresta, junto com a Universidade de Harvard, fazendo com que os alunos
recebam on line informações que lhes permitam estudar química ou biologia.
Eles aprendem Shakespeare usando um banco
de dados com imagens das mais variadas interpretações, por exemplo, de
"Macbeth"; inclusive as cenas produzidas por Orson Welles, em 1948.
As aulas de literatura inglesa são acompanhadas da captura de quadros,
espalhados pelos EUA e Europa, devidamente esmiuçados graças aos truques
digitais.
Esse relato certamente parece ao leitor
brasileiro mais um jogo virtual. Em especial, se for suscitada a possibilidade
de reprodução numa escola pública, na qual pouca gente sabe quem foi Orson
Welles ou sabe escrever o nome de Shakespeare, além de não ter a mais remota
noção sobre quando e onde viveram os assírios.
Por sua importância na formação da opinião educacional americana, a Dalton é um dos cenários que ajudam a redefinir não apenas os conceito de educação, com novos papéis à escola, alunos e professores. Mas, inclusive, o que significa ser alfabetizado, apto à integração e sobrevivência no mercado de trabalho.
Por sua importância na formação da opinião educacional americana, a Dalton é um dos cenários que ajudam a redefinir não apenas os conceito de educação, com novos papéis à escola, alunos e professores. Mas, inclusive, o que significa ser alfabetizado, apto à integração e sobrevivência no mercado de trabalho.
Todo esse monumental elenco de testes de
Dalton é transferido às escolas públicas, mesmo as dos bairros mais pobres;
professores são treinados e softwares distribuídos gratuitamente. A
transferência do conhecimento do Upper East Side, com seus milionários
apartamentos, para o Harlem, infestado de drogas e gangues, revela uma
tendência: o domínio das técnicas digitais estabelece o limite contemporâneo do
analfabetismo.
Num projeto da Microsoft, são entregues,
com preços subsidiados, laptops às crianças pobres de Nova York, que vivem em
bairros violentos; as máquinas são adquiridas pela escola. É parte do material
escolar. Elas levam o computador para casa e, depois, usam na escola. Em casa,
ensinam aos pais os primeiros "teclados".
Cena comum: pais escoltam os filhos para
que ninguém leve o computador.
Virou prioridade de toda uma nação ligar todas as salas à Internet, obrigando os professores a se reciclarem. São sugadas as experiências mais avançadas desenvolvidas nas escolas mais ricas, laboratórios e universidades. A forma como se produz riqueza depende mais e mais de uma mão-de-obra treinada em computação.
Virou prioridade de toda uma nação ligar todas as salas à Internet, obrigando os professores a se reciclarem. São sugadas as experiências mais avançadas desenvolvidas nas escolas mais ricas, laboratórios e universidades. A forma como se produz riqueza depende mais e mais de uma mão-de-obra treinada em computação.
A redefinição sobre ser alfabetizado
aumenta ainda mais o tamanho e o desgaste de uma velha mentira brasileira,
repetida em livros e estatísticas. Segundo os números oficiais, o Brasil teria
20 milhões de analfabetos. Ou seja, gente incapaz de ler ou escrever um bilhete
simples. Essa mentira foi aperfeiçoada e, hoje, é a que está em uso pelos
educadores. Seria necessário um nível mínimo de entendimento, obtido com, no mínimo,
quatro anos de estudos, os chamados analfabetos funcionais.
Por esse critério mais rigoroso, os 20
milhões pulariam para 50 milhões. Quantos seriam, porém, os analfabetos
digitais, despreparados para lidar com os computadores e, muito menos, com suas
redes de informação?
Ninguém sabe a resposta, mas dá uma leve
idéia do desafio colocado para o Brasil, que, até agora, mal passou da
descoberta do analfabeto funcional para o digital. O desafio é tirar as
escolas, particularmente as públicas, do começo do século 20, dando-lhes cem
anos de modernidade. Possível?
Qualquer um com um modem na mão pode
buscar a informação que quiser em qualquer lugar; de um quadro de Picasso a uma
poesia de Dante, a um livro de física. Desde a Bíblia de Gutenberg, em 1456, a
humanidade não pára de alargar as chances de disseminar a informação; a
lnternet é o coroamento dessa evolução.
Estão alargados não apenas os limites de alcance de dados, mas alterada a própria maneira de ler - assim como o livro da forma que conhecemos, possível de ser folheado e inventado no tempo dos romanos, mudou os hábitos para melhor de quem estava acostumado a ler os rolos.
Estão alargados não apenas os limites de alcance de dados, mas alterada a própria maneira de ler - assim como o livro da forma que conhecemos, possível de ser folheado e inventado no tempo dos romanos, mudou os hábitos para melhor de quem estava acostumado a ler os rolos.
Com o hipertexto, o leitor vai pulando de
um artigo para outro, de uma homepage para outra, distantes geograficamente
milhares de quilómetros. No livro tradicional, lemos do começo ao fim; no
máximo, vamos ao pé da página para informações complementares, mas não saímos
do lugar.
O leitor digital não é só consumidor de
informações, mas produtor, ele interfere, deixa suas opiniões, compartilha o
conhecimento. "A tecnologia criou o paraíso do autodidata", sustenta
o jornalista Paul Güster, autor do recém-lançado "Alfabetização
Digital" (Digital Literacy, Wiley Computer Publishing, US$ 22.95).
O ponto central da discussão é: como um
país pobre como o Brasil lida com esse vendaval? "Nunca se deixem
impressionar pelas máquinas, é a parte menos importante", afirma Frank
Moretti, que costuma receber professores e educadores de nações
subdesenvolvidas.
"Descobrimos aqui que a máquina só presta mesmo quando melhoramos
o professor. Do contrário, passa despercebida", afirma Moretti. Foi essa
dica, aliás, que Moretti deu aos funcionários do Ministério da Educação
brasileiro, envolvido no projeto de instalação de 100 mil computadores.
Há abundantes relatos sobre como o
computador foi desperdiçado em sala de aula, não apenas em relação à
produtividade. Existe uma óbvia diferença entre entendimento - relacionar os
dados dando-lhe significado - e obter informação. A informação é abundante, mas
vale pouco com escassez de entendimento. Basta ver o olhar do guarda do museu
diante das obras de arte que ele vê várias horas por dia. Ele tem os quadros -
as informações -, mas não o entendimento. O novo papel do professor é o de ser
um conselheiro, uma ponte entre a informação e o entendimento; e, a partir
dessa combinação, um estimulador de curiosidade e fonte de dicas para que o
aluno viaje sozinho no conhecimento, obtido nos livros e nas redes de
computador.
Evitar o analfabeto digital que,
paulatinamente, vai fazer parte da agenda brasileira por exigência do poder
econômico, vai depender mais do tipo de professor formado do que do computador
que compramos. O problema é que formar professor é mais caro e demorado do que
comprar máquina. No final, compensa: o resultado é verdadeiro e não virtual.
terça-feira, 1 de maio de 2012
DADOS DO CENSO 2010 - Renda, saneamento e analfabetismo nas cidades brasileiras
IBGE mostra a persistência de dois 'Brasis'
Taxa de analfabetismo cai, mas é superior a 25% em 1.310 municípios. Proporção de pessoas pardas ou negras que não sabe ler caiu pela metade desde 1991, mas é mais que o dobro da registrada entre brancos
Lucila Soares e Rafael Lemos
Moradora do Morro dos Macacos, na Vila Isabel (Apu Gomes/Folhapress)
Um país urbano, com taxas de crescimento populacional próximas das nações desenvolvidas, avanços sociais notáveis e desigualdades flagrantes, que mantêm atual a ideia da coexistência de dois "Brasis". Este é o Brasil retratado pelo Censo Demográfico de 2010, que teve mais uma etapa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. O conjunto de informações divulgado consolida as características da população e dos domicílios brasileiros levantadas em visitas a 67,5 milhões de domicílios, nos 5.565 municípios das 27 unidades da federação.
A taxa de analfabetismo é um dos indicadores em que a existência de dois Brasis se revela com mais vigor. Entre 2000 e 2010, o número de analfabetos com 15 anos de idade ou mais recuou de 13,63% para 9,6%. Mas as diferenças regionais são gritantes, e nas cidades pequenas, de até 50 mil habitantes, a situação é de calamidade educacional. No Nordeste, a taxa dessas cidades chega a 28%. Em todo o Brasil, existem 1.304 municípios com taxas de analfabetismo iguais ou superiores a 25%. Entre as crianças de 10 anos de idade, a proporção caiu de 11,4% para 6,5% na média brasileira, mas chega a 16,4% no Maranhão e a 13,7% no Piauí.
A chaga da desigualdade revela-se ainda mais impressionante quando se observam as taxas de analfabetismo associadas à cor. Enquanto na população branca existem 5,9% de analfabetos com 15 anos ou mais, entre os negros a proporção é de 14,4%, e entre os pardos, de 13%. Nas cidades pequenas, com até 5.000 habitantes, o analfabetismo entre os negros atinge 27,1%.
A essa diferença de oportunidades na educação pode-se atribuir boa parte da diferença de rendimentos constatada pelo IBGE. Os dados de rendimento ainda são preliminares, e mostram que a população brasileira é pobre. O rendimento médio mensal é de 668 reais, mas 25% dos brasileiros recebem até 188 reais, e metade da população recebia no ano passado até 375 reais, valor inferior ao salário mínimo vigente, de 510 reais. Quando se cruzam os dados de rendimento com os de cor, constata-se que negros e pardos ganham cerca de metade do que ganham os brancos. Na média brasileira, pretos recebem 834 reais por mês, e pardos 845 reais, contra 1.538 reais de brancos.
As maiores disparidades acontecem nas cidades com mais de 500 mil habitantes. Em Salvador, brancos ganham 3,2 vezes mais que pretos. Na comparação entre brancos e pardos, São Paulo aparece no topo da lista da desigualdade, com rendimentos 2,7 vezes maior.
Mulheres – A disparidade entre os rendimentos de homens e mulheres é outra distorção que persiste, embora com tendência à redução. No censo de 2000, os homens tinham rendimentos 53,33% maiores que os das mulheres. No censo de 2010, a diferença caiu para 42%.
A desigualdade entre os rendimentos de homens e mulheres reduziu-se em todas as regiões do país, exceto no Nordeste, onde essa relação ficou estável. Em 2010, metade dos homens ganhava até 765 reais, enquanto metade das mulheres recebia até 510 reais. Nos municípios com até 50 mil habitantes, os homens recebiam, em média, 47% a mais que as mulheres: 903 reais contra 615 reais. Nos municípios com mais de 500 mil habitantes, os homens recebiam, em média, 1.985 reais e as mulheres, 1.417 reais, uma diferença de cerca de 40%.
Outros destaques do Censo:
A população brasileira atingiu 190.755.799 habitantes em 1º de agosto de 2010.
Destes, 84,4% viviam em cidades, e 15,6% em áreas rurais, consolidando um dos mais avassaladores processos de urbanização já ocorridos no mundo. Em 1950, 63,8% da população viviam no campo; em 20 anos a proporção se inverteu, e no censo de 1970 67,6% dos brasileiros já habitavam cidades.
Nos últimos 20 anos, a taxa de crescimento da população caiu a menos da metade. Entre 1991 e 2000, a população cresceu à razão de 1,64% ao ano; na década seguinte, a taxa foi de 1,17%;
A idade média do brasileiro aumentou 26,5 anos para 32,1 anos entre 1991 e 2010. O Rio Grande do Sul é o estado mais velho da federação, com idade média de 34,9 anos.
O saneamento básico melhorou, mas continua precário. 32,9% dos domicílios não estão ligados a rede geral de esgoto ou fossa séptica. No Nordeste, a proporção é de 54,8%.
Criação/desenvolvimento: Carol Rozendo
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